Profile: Miguel Morone, Militar e triatleta amador

Miguel Morone tem 36 anos e este ano foi o primeiro atleta amador a cruzar a linha de chegada no Ironman 70.3 Florianópolis. Conheça um pouco mais sobre o Bombeiro Militar que é dos melhores atletas amadores do país e é treinado por um dos primeiros técnicos de triathlon do Brasil, o professor Claudio Morgado.

Morone sempre foi ligado ao esporte por influência do seu pai e irmão, que é professor de Educação Física. Na infância, jogava muito futebol e se arriscava pegando onda de Body Board, mas nada relacionado a performance. Até seus 30 anos, o esporte era apenas por lazer e para manter o condicionamento físico, pois é Bombeiro Militar, com especialidade em Salvamento Aquático.

Ele até se aventurou na Corrida de Orientação por um ano, quando foi cadete na Escola de Oficiais do Bombeiro e até venceu algumas provas, mas tudo começou mesmo há sete anos. “Em 2012, participei de um Campeonato de Salvamento Aquático, em Balneário Camboriú, e tive uma atuação decepcionante. Na prova de Aquathlon com distância de 1k corrida – 1k natação – 1k corrida, não sei como terminei… E isso me motivou a treinar e mudar drasticamente minha rotina, pois na época eu apenas malhava e era ‘fortão’ com 86kg! Já tinha um amigo bombeiro triatleta. Juntamos com mais dois loucos bombeiros e começamos. Comprei minha primeira bike, procurei uma assessoria esportiva e demos nosso primeiro passo. Poucos meses depois fundamos a TRIGMAR, equipe de bombeiros militares triatletas. Começamos com quatro militares e hoje contamos com mais de 50, não só bombeiros do Estado do Rio de Janeiro. Motivo de orgulho!”, ressalta Morone.

Sua primeira prova de Triathlon foi um sucesso, mas bem dura. Após três meses de treino estava inscrito em seu primeiro Sprint e na época já tinha em mente que precisava ganhar experiência, ir com calma, não pular as etapas, para um dia, quem sabe, fazer um Ironman 70.3 ou full Ironman. Antes do primeiro sprint, fiz um Aquathlon e um Duathlon para me preparar. Fiquei amarradão com as provas. Então, chegou o grande dia! Nervoso, mas muito confiante. Lembro que foi uma prova dura na natação – como sempre –, pedalei com um grupo bom e passei muita gente na corrida. Eu fiquei muito feliz e realizado por ter completado. Foi uma grande conquista. E acendeu a chama da competitividade, pois fiquei muito longe do pódio e senti vontade de estar lá em cima”, revela ele.

Desse dia até hoje, Morone já competiu muito, incluindo aí 12 provas de Ironman 70.3 e uma de Ironman. Seu primeiro IM70.3 foi em 2015, em Brasília, onde já conseguiu sua primeira vaga para o Mundial e foi o 3º geral amador, com 4h15min. Foi a realização de um sonho. Dois anos me preparando no Sprint e Olímpico para chegar bem em uma distância maior. E olha que muita gente duvidou! Motivação a mais!” Além dessa prova ele tem mais duas guardadas como memórias inesquecíveis: Meu primeiro Ironman, que foi de superação, pois estava saindo de 1 ano e 6 meses lesionado. Completar o Ironman mostrou o quanto posso ser forte e lutar por algo quase impossível. E por fim a minha primeira vitória, no IM70.3 de Florianópolis, em abril deste ano. Ganhar essa prova coroou todo o processo que percorri!” avalia Morone.

Nesse evento em Floripa, Miguel Morone foi o 9º geral – incluindo os profissionais – e fez a segunda melhor meia maratona do dia, em 1:14:07. Ele descreve tudo que passou: Foi realmente incrível! Me senti bem FíSICO E MENTAL em toda a prova. Estava motivado e com os objetivos bem definidos. Trabalhei duro em quatro meses de periodização com os melhores profissionais e apoiadores me ajudando, e muita gente me apoiando fazendo acreditar, como minha noiva Clarissa, a quem dedico toda minha evolução como pessoa e atleta. Eu e meu treinador Claudio Morgado vimos que tinha chegado o momento de brigar por um título. Porém, o dia não começou muito bem. Os vizinhos fizeram uma festa e não consegui dormir… Pensei: ‘Vou dormir muito depois da prova e relaxei! Na natação consegui uma esteira perfeita e comecei o pedal descansado e forte. Logo encostei nos atletas que tinha como referência e sabia que eu estava bem posicionado. Foi fazer um pedal estratégico para soltar tudo na corrida. Quando saí para correr me falaram que estava em segundo, a 1’30 do líder. Fui à caça! Assumi a ponta no km 15 e consegui manter o ritmo até o final. Foi uma prova perfeita. Consegui superar rápido as dificuldades e me manter forte mentalmente até o fim. Na corrida, encaixou tudo que treinei. Eu venho evoluindo nessa modalidade com o tempo, com paciência, errado e acertando. Meu treinador me tira o máximo em todo treino!”

Morone é Bombeiro Militar há 18 anos, então jamais pensou em ser profissional do triathlon. Para ele, o esporte é lazer, qualidade de vida. “Entrei no esporte para aproveitar tudo de bom que ele pode me proporcionar, como saúde, viagens, amigos etc. Quero também pegar a vaguinha para os Mundiais e conseguir alguns pódios! Para isso preciso treinar bastante, pois a galera está voando. Cada um tem seu objetivo e respeito muito, o meu é brigar lá na frente! Também penso em buscar o TOP 5 no Mundial IM70.3, mas meu maior sonho dentro do Triathlon é conseguir a vaga no Mundial de Ironman, em Kona. Toda essa preparação é para ganhar experiência para o próximo Ironman e lutar pela vaga”, revela ele, que treina bastante para isso. “Em média, por semana, pedalo 4x, nado 3x e corro 4x. Uma média de 300k pedal, 10k natação e 45k de corrida, que dá entre 13 e 15h por semana. Podendo aumentar na chamada semana do inferno ou ir diminuindo quando vai chegando perto de uma prova alvo. Incluo também a musculação e fica essa a dica: Sou ex-lesionado, pois não dava importância para o fortalecimento muscular. Meu corpo não aguentou o volume de treino e tive a síndrome da banda iliotibial. Após 1 ano e 6 meses parado, consegui retornar e hoje treino na musculação 3x na semana. São 2 anos sem qualquer lesão”, comemora.

Morone, além de treinar e trabalhar, está fazendo faculdade de Educação Física e se desdobra para dar conta de tudo. “Consigo administrar bem essa logística. Claro que às vezes aperta no trabalho e faculdade, mas ajusto sempre com o meu treinador, Claudio Morgado, e caminhamos sem stress. Meus treinos são sempre pela manhã antes do trabalho, hora do almoço ou à noite, após o trabalho. Se eu planejar com antecedência a semana e cumprir certinho, o que é difícil, consigo fechar a semana de treinos. Sou muito preguiçoso e acordar cedo é minha maior dificuldade… Sempre atrapalha o planejamento. Mas dou sempre um jeito. O importante é achar um equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. Sou amador e se não tiver bem em casa, na sua vida profissional, amigos, não faz sentido para mim. Falo hoje, pois já fui bitolado no triathlon e pequei em muita coisa ao meu redor. Equilíbrio é a palavra!"

Para 2020 Morone tem uma grande “evento” marcado… se tornar pai em fevereiro! Então fará as provas mais curtas do Rio Triathlon e, quem sabe, o Ironman 70.3 Rio de Janeiro, que será em junho. No segundo semestre, se for possível, o IM70.3 Fortaleza, evento que ele gosta muito.

Por ser um dos melhores atletas amadores do país, pedimos a Morone que desse algumas dicas para amadores que, assim como ele, têm aspirações no esporte: “Primeiro, que tenha bons profissionais com você nessa caminhada; treinador, fisioterapeutas, médicos, nutricionistas etc. Depois, trabalhe muito duro e acredite sempre que é possível, acredite em você. Pode parecer clichê, mas quando se realmente acredita, você fica mais focado, é mais constante nos treinos e fica mais forte mentalmente. Outra dica é ser paciente também e não pular as etapas do processo. Ninguém nasce um atleta olímpico. Isso é construído com o tempo. Então, sinta o esporte, ganhe experiências, seja equilibrado com tudo na vida. O triathlon é um xadrez e demora até encontrar o ideal nas três modalidades. É isso que dá mais motivação, pois nunca terá uma prova perfeita, sempre dá para melhorar. E pessoal, cultive o bem! Seja bom, ajude outros atletas, seja exemplo… pode ter certeza que retorna em dobro para você. Quero aproveitar a oportunidade e agradecer os apoiadores e a todos que me acompanham. É uma energia incrível que recebo todos os dias. São tantas amizades que ganhei esses anos que me faz se uma pessoa muito realizada no esporte e na vida. O triathlon é isso, e o resultado acaba sendo uma consequência do bem que você faz todos os dias. Obrigado e vamos pra cima!"

BIO

Nome: Miguel Morone Neto
Idade: 36
Cidade onde nasceu: Rio de Janeiro
Cidade onde vive: Rio de Janeiro
Tempo de triathlon: Sete anos
Altura: 1.81
Peso: 74kg
Roupa de borracha: Orca S5
Óculos de natação: Roka R1
Bike: Trek speed concept 2019
Capacete: Giro Air Attack
Sapatilha: Shimano S- PHYRE
Tênis de corrida treino: Nike zoom fly e Nike Pegasus turbo
Tênis de corrida competição: Nike Vapor Fly
Óculos de sol: Oakley
Técnico: Claudio Morgado
Apoio: Probiotica, Sigvaris, Academia Veloxfitness, Protreina, 3shop, Malama Care Center, Ami sucos, Rango Sarado, Laboratorio de Performance Humana, Join sports

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