Musculação para triatletas: Contribui?

O real contributo da musculação integrada à rotina de treinos é uma dúvida que muitos triatletas têm

Exercícios de força caracterizam-se por serem movimentos realizados contra alguma resistência. Tais estímulos promovem alterações subagudas e crônicas, que permitem a utilização de tal procedimento quando se pretende melhorar o rendimento. Ainda que parte dessa metodologia possa ser realizada no aquecimento ou mesmo em movimentos específicos do triathlon, a realização de movimentos similares pode contribuir para alterar positivamente a eficiência mecânica.

Não é novidade que o treino de força promove hipertrofia e resulta do aumento do número de miofibrilas e pontes cruzadas. Esse fenômeno já é verificado entre 24 e 48h depois deste tipo de exercício e ainda que não promova aumento visual da seção transversa do músculo, poderá contribuir para prevenir alguns tipos de lesão. Isto ocorre já que tal estímulo também aumenta a rigidez tendínea e, ao reduzir o estiramento do tendão durante a fase de contração concêntrica, atenua o stress sobre aquele tecido.

Após um ou dois dias da sessão de musculação também se eleva a força de transmissão lateral, já que existe incremento do número de sarcômeros conectados com a membrana plasmática (costâmeros) e que transmite força diretamente para o tendão. Tal situação, reduz de fato a probabilidade de lesão e permite o aumento do número de contrações que podem ser realizadas com alta ativação e baixa velocidade.

Ainda mais interessante é perceber que existem alterações na coordenação e no recrutamento de unidades motoras imediatamente após a execução destes exercícios que resultam em incremento imediato da força. No primeiro caso verifica-se diminuição do torque articular para criação de força externa e menor co-ativação da musculatura antagonista que tornam o movimento mais eficiente. No segundo, o maior recrutamento de unidades motoras observado após o exercício de força resulta de alterações no comando motor central que contribuem para atenuar a fadiga periférica, bem como diminuir a exigência mental para realização do exercício.

Roger de Moraes – @demoraesroger
Ex-triatleta Profissional, Professor de Fisiologia Geral
Doutor em Ciências com Pós-Doutorado no Laboratório de Investigação Cardiovascular do Instituto Oswaldo Cruz – Fundação Oswaldo Cruz

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