Triathlon sem lesões. Dá para conseguir?

Em todo e qualquer esporte, sempre existe o risco de o atleta se lesionar e no triathlon, não é diferente. Poucos estudos determinam o perfil de lesões apresentado por atletas de triathlon, mas sabemos que esportes cíclicos de longa duração, mostram-se especialmente favorecidos por programas de atenção preventiva, pois o padrão de lesões apresentado por estes esportes depende diretamente de características estruturais do atleta e do planejamento de seu treinamento, raramente vinculando-se a eventos traumáticos apresentados pelos esportes coletivos e de contato. Porém, esse é um ponto onde o triatleta leva uma certa vantagem em relação aos outros atletas de endurance, já que no triathlon existe a possibilidade de minimizarmos os riscos de lesão alternando os esportes (natação, ciclismo e corrida) e diminuímos o impacto no sistema músculo-esquelético. Mas logicamente devemos nos manter atentos às técnicas específicas de cada um desses esportes, para que tenhamos um melhor, mais correto e mais eficiente gesto motor, diminuindo ainda mais o risco de lesão. Portanto procure incluir algumas séries de educativos em seus treinos. Opte por fazer isso durante a fase de aquecimento ou naqueles dias em que tem um treino regenerativo, onde normalmente a preocupação com altas intensidades e séries estruturadas não é a prioridade.

Outro fator que deve ser levado em consideração são os equipamentos utilizados durante a prática de cada esporte. Por exemplo: o tamanho do palmar utilizado nas séries de braço na piscina, pois se for muito grande e o atleta não for extremamente experiente e forte, pode acarretar dores nas articulações dos ombros. A bicicleta também tem que estar de acordo com o tamanho do atleta, pois com um banco muito alto o atleta tende a balançar o quadril lateralmente para poder pedalar e esse movimento pode ocasionar lesões na região pélvica. Caso o selim esteja abaixo da altura ideal, existirá uma sobrecarga no joelho (região fêmuro-patelar), que trabalhará muito flexionado, também podendo causar dores. Até o “taco” da sapatilha precisa estar bem posicionado, para não causar dores nos joelhos e/ou nas panturrilhas. Fica aqui a dica para procurar um bom profissional que entenda de bike fit. Em relação à corrida o maior cuidado deve estar no tipo de tênis que está usando, se ele é adequado ao seu peso e tipo de pisada para que você não sofra com a falta de amortecimento ou de estabilidade, principalmente no caso dos pronadores severos.

Devemos também prestar bastante atenção à carga de trabalho executado, pois grandes volumes podem gerar lesões, principalmente se existe pouco ou nenhum tempo dedicado a um trabalho compensatório (alongamento, massagem, RPG, Pilates, Yoga). O aumento do volume de treinos deve ser bem gradual e não ultrapassar cerca de 5 a 10% a cada semana, dando assim, condições ao corpo (músculos, tendões e ligamentos) de se adaptarem e se fortalecerem. Uma dica válida é focar na modalidade que você tem mais experiência e que seu corpo já está mais acostumado, enquanto desenvolve e constrói uma boa base nos outros esportes.

Portanto, para se manter treinando com consistência o ano todo, muita atenção ao seu planejamento, seus equipamentos e ao seu volume de treinos, dando também a importância necessária ao seu plano de recuperação, pois é extremamente importante quanto tempo você pode dedicar para absorver o trabalho que fez, descansando e dormindo. Não importa o quanto você treina se não consegue recuperar entre um treino e outro. Lembre-se que descanso também é treino!

Rodrigo Tosta, ironguides coach, Rio/Brasil

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