Thiago Vinhal: Sonho de Menino

 

Quando começou no triathlon e por quê?
Comecei a fazer o triathlon aos 19 anos. Eu lembro que sempre fui nadador e sempre corria bem no colégio também. Teve um dia que fiz uma aula de spinning e então me empolguei em fazer um aquathlon – fui o terceiro colocado.
Ai eu falei – acho que dá para fazer esse negócio de triathlon. Comprei a minha primeira bike em 2004. Eu era o mister empresta, até então eu só pegava os equipamentos emprestados – as pessoas até corriam de mim quando me viam.
A bike custou R$250,00, comprei na loja de bike da rua da minha casa. O guidon era cortado no meio e invertido – aí eu pensei, já tenho uma bike de triathlon, mas estava enganado… . Cheguei a ir para um Campeonato brasileiro, mas me impediram de competir por causa do guidon.

Como foram os anos seguintes?
Meu primeiro triathlon foi o Triathlon dos Bombeiros, um short triathlon no Espírito Santo. Aos poucos fui treinando e evoluindo. Quando venci o Campeoanato Panamericano de Aquathlon, em Brasilia, ganhei uma bolsa para a Faculdade.
Eu estudava, eu treinava bem pouco. Estudava a tarde e tinha sempre que trabalhar – sempre precisei.

 

 

Como foi a sua orientação no esporte?
O meu primeiro técnico foi o Adriano Maron, ele era mais focado no atletismo – mas ele me introduziu muito bem. Não me assustou, não me lesionou – não me deixou queimar etapas. Foram uns 4 anos e uma ótima experiência, ele era o treinador do Bruno Khouri, aqui de Belo Horizonte, na época. Depois quando o Diogo veio morar em BH, foi quando veio o Lauter Nogueira. Era ótimo nosso grupo com Chicão, Diogo Sclebin e o Adriano Sacchetto. O grupo me ajudou muito a evoluir.

Em qual modalidade você tem maior dificuldade?
Sempre foi o ciclismo. Na verdade a minha primeira bike foi aquela de R$250,00 – nem sabia o que era pedalar, aos 19 anos. Melhorei muito o meu pedal, mas sinto que é onde ainda posso realmente evoluir mais. Eu sinto que fisicamente e mentalmente, é aonde posso ir mais longe nos meus treinamentos.

E as competições e suas conquistas?
Em 2010, eu fiquei meio desanimado com as provas de olímpico. Me preparei para fazer o IM de Floripa de 2011, o meu técnico comprou a idéia. Fiz como amador, em 9h10min, ganhei a cat. 20-24, fui o 19º na geral. Peguei a vaga para o Havaí mas não fui. Veio o programa da Globo – Hipertensão, o qual fui convidado. Acabei abandonando o sonho do Havaí pelo programa, onde fiquei de Julho até Outubro. Desespero total, igual viciado sem droga, fiquei preso dentro do quarto – não treinava nada.
Mas foi lá, durante o programa, que decidi que queria o triathlon como profissional. De 2012 a 2014, ainda treinava com o Lauter. Em 2012 já competi como profissional em Florianópolis, marcando 8h50min.
Em 2013, fiz 8h37min. Um mês depois, fui para ao Ironman da Áustria e bati o meu meu recorde, em 8h30min. Depois fiz várias provas, incluindo o IM Cozumel e a Áustria por mais 2 vezes.

Qual foi a importância do Team Bravo na sua evolução?
Em 2014 fui convidado pelo Team Bravo. O principal foi o desafio. No começo eu fui chamado por ser um cara carismático, mas no fundo eu sabia que tinha a performance dentro de mim. A convivência com os atletas foi fundamental. O time me tirou a minha melhor versão.
Foi uma mudança na minha carreira. Em 2015, tive um ano de aprendizado e muito treino – viajei muito e fui absorvendo, mas os resultados não apareceram. No IM Japão errei o caminho. No Ironman Malásia, no final do ano, ainda fui o 10º geral.

Como foi a sua experiência em Mallorca, na Espanha em 2016?
Em 2016, mudei de técnico e fui treinar com o Frank Jacobson. Fui para o Training Camp dele – de Março até Maio, em Mallorca. Eu ficava em imersão total nos treinamentos e fazia um trabalho de bike guide para os campers – tinha a hospedagem e a alimentação por conta.
Já de volta, no Ironman Brasil em Floripa, em Maio, nadei na frente e pedalei bem. Senti uma melhora muito grande.

E a emoção do vice-campeonato da Malásia, como foi?
No final do ano fui para a o IM Malásia novamente e acabei sendo o vice-campeão com o tempo de 8h39min, marcando 1600 pontos no ranking mundial. A prova da Malásia foi o momento mais marcante na minha carreira. Foi a primeira vez que me vi quase ganhando uma prova – fiquei apenas 20s do campeão. Marquei pontos importantes também para o ranking 2017.

 

 

Você voltou para Mallorca este ano, como é a sua rotina lá?
Depois do bom resultado na Malásia, sentei com o meu técnico e pensamos – vamos dar seqüência e repetir a fórmula de 2016. Voltei para o Mallorca e fiquei lá de março até maio, deste ano, voltando poucos dias antes do IM Florianópolis. Em Mallorca minha rotina é sempre definida pelo trabalho. Eu faço um bike guide no Training Camp do meu técnico, onde entra gente nova toda a semana. Moro num prédio anexo, ao lado do Hotel, onde os campers ficam. Nado em média 20km, pedalo 500km, com muitas subidas e corro entre 60-70km. Ainda faço massagem e fisioterapia. Durmo em uma tenda hiperbárica e não tenho vida social. Frank, o coach, sempre me diz: Performance para você é igual a potencial menos interferência. Lá eu fico totalmente imerso.

Como melhorou o seu pedal?
Como a ilha é movida ao ciclo turismo eu pedalo de 20 à 25h por semana, sem ter que me preocupar com a segurança. Aprendi a dominar a montanha…

Veja a entrevista completa na edição de Julho da Tri Sport Magazine.

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