Por dentro do giro. Não menospreze o treino girado

Pense no alinhamento e no balanceamento das rodas do seu carro. Aos dois procedimentos, estão associadas palavras como conforto, estabilidade, economia, eficiência. Certo?
Agora, pense em você treinando, seja nadando, seja pedalando, seja correndo e identifique o que gira em você – exatamente como a roda do carro. No caso do nado, os braços; na bike e na corrida, as pernas.

Onde eu quero chegar com essa comparação? Bem, eu quero apresentar a você uma das variáveis mais importantes do treino: a cadência – e comecei alertando justamente o motivo da importância dela. Cadência de movimentos está intimamente relacionada à economia (fadiga muscular), à eficiência (tanto em termos de velocidade quanto de resistência) e, portanto, à estabilidade (articular) e ao conforto (necessário em movimentos repetitivos). Compreendê-la e saber usá-la reflete no seu alinhamento e balanceamento enquanto corpo em movimento.

O que é cadência?

Na corrida, cadência é a quantidade de passos por minuto, ou seja, quantas vezes os pés tocam o chão em 1 minuto da corrida.

No caso do ciclismo, é o número de vezes que um pé termina a pedalada (RPM, rotações por minuto).
Se a cadência vai ser alta ou baixa, depende dos objetivos do treino, da fase do treinamento, do tipo de provas. A altura do atleta, a mobilidade do quadril e sua habilidade na modalidade também interferem. Não dá para imitar a cadência do outro, mas há a cadência ideal para cada situação. E apostar nela é recurso do treinador para gerar adaptações metabólicas e biomecânicas.

 

 

Como assim?
Na corrida, por exemplo. Se precisamos melhorar a biomecânica da passada, treinamos com passinhos curtos e em maior número (cadência alta), facilitando a pisada no chão com o meio do pé (e não com o calcanhar lá na frente, freando o impulso), bem abaixo do quadril/centro de gravidade (o que suaviza o impacto no chão). O resultado é um movimento mais elástico. Quanto mais familiarizados com essa mecânica, mais eficazes, rápidos e econômicos seremos ao deixar a passada mais larga e agressiva.

No ciclismo, é similar. Se você está aprendendo a pedalar, ou voltando de um longo período sem contato com a modalidade, o melhor que você tem a fazer é treinar em cadência alta, adaptando a musculatura à mecânica ideal do movimento. Até por isso treinos de base enfatizam o giro.  Não menospreze esse tipo de treino! Estamos falando de qualidade! Desenvolver habilidades no que se refere a treinar em diferentes cadências é um ótimo investimento – principalmente se você é iniciante.

Mas os benefícios do uso correto dessa ferramenta de treino vão além do necessário aprimoramento de nossa consciência corporal ou adaptação sinestésica (sistema neuromuscular). Se nossa modalidade requer resistência, como o triathlon de longa distância, por exemplo, aumentar a eficiência metabólica é bem importante – e a cadência alta vai colaborar nisso. É possível se aprofundar nesse aspecto a partir dos textos dos links abaixo. Boas leituras, bons treinos!

>> https://www.alancouzens.com/blog/CyclingCadence.html
>> http://home.trainingpeaks.com/blog/article/finding-your-perfect-run-cadence?utm_source=tpr&utm_medium=email&utm_campaign=10-16-cnl

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Frank Silvestrin

Triatleta Profissional/Diretor da Raia Sul Triathlon Team

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