Não deixe o CALOR destruir seus treinos. Veja como superá-lo!

A temperatura e umidade em determinadas época do ano são implacáveis com os atletas. Temperaturas já beirando os 40 graus logo pela manhã. O que fazer para não perder o condicionamento e ao mesmo não expor o corpo a um desgaste acima do que ele pode suportar?

Treinador e atleta, Raul Furtado explica que alguns ajustes devem ser feitos na planilha. Mas o atleta também ter uma atenção amor com o local de treino. “É em situações assim que vemos a importância de o atleta ter a o acompanhamento de um bom treinador e de outros profissionais. Em épocas de muito calor, diminuir um pouco o volume de treino é mais importante do que diminuir a intensidade. Em altas temperaturas, nosso corpo trabalha mais arduamente para manter a homeostase, mesmo estando parado, sem atividade. Movimentando-se, o gasto é maior ainda”, explica Raul.

O treinador explica que a ação do vento pode ajudar à manutenção da temperatura do corpo em níveis aceitáveis, sem riscos. Por isso não basta pura e simplesmente optar por sessões de treinos indoor. É preciso estar atento ao ambiente. “Na corrida já temos uma perda maior, devido à menor ação do vento, o que gera um acúmulo maior de calor pelo corpo. Então tanto na corrida quanto no ciclismo indoor, cuidados com a ventilação e climatização são fundamentais. Se isso for negligenciado, sem a ação do vento, a tendência é de que a temperatura corporal suba muito, uma perda hídrica muito grande”.

De acordo com o treinador, o bom senso é o principal aliado do atleta em épocas de muito calor. Ele deve pesar bem a relação dano x ganho para decidir em que ambiente fará sua próxima sessão de treinos, especialmente os longões. “Em algumas regiões, onde a temperatura ultrapassa os 36 graus, optar por treinos indoor em ambientes é mais inteligente. Em temperaturas acima de 36 graus o dano é muito maior que o ganho. Mesmo o atleta mais experiente, em treinos outdoor em temperaturas elevadas, deve reduzir o volume e estar atento à hidratação e ao resfriamento do corpo”.

Raul lembra que o feedback com o treinador é ainda mais importante durante os meses mais quentes. Segundo ele, a troca de informações promove uma evolução mais rápida e consistente. Ele lembra ainda que alguns atletas têm o hábito de treinar insistentemente simulando as condições da provar, inclusive a temperatura, o que pode ser perigoso e não proporcionar qualquer ganho ao condicionamento. “Acho válido algumas sessões serem sobre tal circunstancias, ainda assim com alguns ajustes. Se a temperatura estiver acima do normal do corpo (36 graus) a perda é muito maior que o ganho. Assim como quando a hidratação é falha, faz nossa ‘máquina’ andar no vermelho, podendo causar sérios danos sérios. Nesse caso optar pelo treino indoor ou por horários com temperaturas amenas, seria mais adequado”.

Foto: Ale Machado

Foto: Ale Machado

Nutricionista e atleta, Rafael Brasília explica que os atletas de endurance têm perdas maiores e devem redobrar a atenção também na alimentação. “De modo geral, os atletas de provas mais curtas não possuem perdas muito grandes, então a maior atenção deve ser dada aos atletas de provas de longa duração. Mas os cuidados com a alimentação devem ser uma preocupação de todo atleta”.

Brasília explica que em período de extremo calor, deve-se priorizar os alimentos de menor estresse para a digestão, que são alimentos pobres em gorduras e condimentos. Fast foods e frituras nem pensar, pois são ricos em gorduras. As frutas e sucos, por conterem bastante água, colaboram na hidratação e na reposição do glicogênio, sendo assim boas opções no pré e no pós-treino.  “Carnes magras como frango e peixe nas grandes refeições, quando consumidas junto com carboidratos de boa qualidade e em quantidade correta, auxiliam tanto na manutenção de energia ao longo do dia e na energia para os treinos, além de trazerem uma melhor recuperação e reposição do glicogênio muscular e hepático”, explica Brasília, lembrando que durante os treinos, especialmente aquelas com mais de 1h30 de duração é essencial a reposição hídrica e eletrolítica.

Assim como uma planilha de treinos, que leva em conta a individualidade do atleta, a estratégia de alimentação e suplementação também é não uma receita de bolo. Brasília explica por que o feedback com o nutricionista é tão importante quanto o com o treinador. “Não há uma receita de bolo. A individualidade é importante, por isso o feedback depois de treinos e provas é necessário para calibrar o que vem sendo feito. Tentar se pesar antes e depois do treinamento para ter uma noção da quantidade de água perdida é sempre bom. Praticamente 100% do peso perdido vem do suor e este valor pode ser considerado o mesmo em água. Deve ser reposto durante o treinamento entre 70 e 100% do peso perdido. Evite uma desidratação mais severa pois ela tanto compromete sua performance nos treinos quanto sua saúde”.

Os cuidados com a alimentação de um triatleta de endurance são praticamente os mesmo em qualquer época do ano. No calor ou nos meses de temperatura mais amena, quando os treinos são igualmente puxados e desgastantes. Uma boa recuperação é importante qualquer que seja a época do ano. Mas e aquela sensação de sonolência e prostração que pode fazer com que no final do treino – de ciclismo principalmente – e na volta pra casa o atleta esteja mais exposto a um acidente? “O calor já traz um estresse para o metabolismo. Se somarmos a ele a digestão dificultada de alguns alimentos, o pós-treino e o retorno para casa acabam se tornando um martírio. Pode ser uma boa optar após um treino longo por shakes de ‘recovery’ com carboidratos e proteínas ou o bom e velho sanduíche acompanhado de frutas. Um péssimo hábito que muitos atletas têm é o de ingerir alimentos de qualidade questionável depois do treino para satisfazer, sem culpa, um prazer, uma vez que queimaram muitas calorias. Isso piora a recuperação e pode trazer a prostração”.

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