Mind Games: Avalanche pós-iron. Saia dessa!

Você está inscrito (a) no Ironman Brasil 2016?
Então, este texto é para você, principalmente se você for um estreante. O tema 
pode não ser agradável mas é necessário. Falo sobre depressão pós-Iron, uma 
verdadeira avalanche que vejo embolar a grande maioria dos marinheiros de 
primeira viagem (ou até mesmo os de segunda, terceira…).

Mas o que é essa avalanche?
É a aversão ao treino, a falta de vontade e de prazer, o afastamento do grupo 
e/ou dos amigos que treinam, uma dificuldade de se comprometer com uma 
prova mais curta, com um treino mais voltado ao desenvolvimento de um 
aspecto ou habilidade. Talvez porque o Iron tenha sido um alvo tão distante e 
árduo, o atleta perde a alegria de fazer algo “menor” ou “apenas” um bom treino. 
Esse comportamento vai minguando a disciplina – o que aponta para a 
possibilidade de ela ter sido construída de modo muito frágil ou superficial.

A deprê pós-Iron é você se tornar irreconhecível, para si mesmo principalmente. 
Muda drasticamente: de alguém que acordava pensando em triathlon, dormia 
pensando em treino, sonhava, comia, respirava treino e triathlon, passa a ser um 
sedentário sem norte, desanimado, sem forças sequer para tirar a bike do lugar 
onde ela foi colocada logo depois que chegou da prova. Um tédio que em geral 
leva ao retorno fácil e em doses cavalares de hábitos que tinham sido superados 
na preparação para a prova, como a má alimentação e as noites mal-dormidas.

O resultado? Se você começa os treinos para o Iron no ponto zero e, passados 
todos os meses de treino chega, sei lá, ao ponto 10 de uma escala, a depressão 
descrita coloca você no negativo, menos 1, e ladeira abaixo.

Em termos de condicionamento – físico e mental – essa puxada ao fundo do poço 
é uma experiência pior do que se nunca tivesse tentando treinar qualquer coisa 
na vida. É um looping não aconselhável por nenhum treinador ou educador 
físico/profissional de saúde. Um estresse agudo para o corpo, em todos os níveis. 
Um espécie de pane, quando não se sabe mais se a deprê causou o desânimo ou o 
desânimo que levou à deprê, e aí pode acrescentar oscilações de humor e de 
comportamento, com reflexos nas relações com colegas de trabalho e família.

Claro, não estou falando do merecido descanso pós-prova. Essa parada tem de 
haver. Mas há um limite, porque – lembra – a deprê está à espreita. Monitorar 
reações e planejar de modo consciente, honesto e gradual a volta à seriedade dos 
treinos é a melhor blindagem contra ela. Pode incluir aí a inscrição em uma 
prova, por exemplo.

As respostas do corpo são muito individuais – até por isso atenção total e ainda 
mais cuidado consigo mesmo são altamente recomendáveis nesse momento pós-
Iron. Tudo é material de (auto)estudo para dar continuidade de onde parou (e 
não desculpa para nunca mais calçar os tênis ou para atirar a bicicleta no 
Guaíba). Busque ajuda, com o treinador e os parceiros mais experientes, para 
aprender mais e mais sobre si mesmo. Resumindo: não desperdice a 
ressaquinha, não negue os reflexos no corpo e no ânimo geral – mas também não 
precisa chutar o balde cheio de tudo de bom que você alcançou!

Estou chamando sua atenção para propósito, planejamento e disciplina. Eis os 
“treinos” que não estão explícitos na sua planilha. Eis a transformação que vai 
além do físico. Eis a chance de evitar o piloto automático e aproveitar o Iron para 
ganhar discernimento.

É bem verdade que listar aqui inúmeras dicas e conselhos – e você segui-los à 
risca – pode, lá em junho, não livrá-lo da deprê. Mas dicas e conselhos de quem já 
passou pelo pós-Iron podem, ao menos, ajudá-lo a sair dela o mais rápido 
possível. Pensemos em redução de danos – e que esse posicionamento abra 
espaço para a diversão. Afinal, não é essa a ideia? Have fun! (inclusive depois da 
prova, né?!).

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