Entrevista pós-Ironman com Rosecler Costa, primeira brasileira a cruzar a linha final em Kona!

Ela foi a primeira brasileira a cruzar a linha de chegada no Mundial de Ironman, com o tempo de 10:33:57 e a 11ª colocação na categoria 35/39 anos. Rosecler Costa conquistou a vaga para Kona ano passado, no Ironman Fortaleza, quando foi a primeira amadora do dia e, desde lá, seu foco foi o Ironman Havaí. Conheça um pouco mais sobre esta “mãe de ferro”.

Como foi seu dia na competição?

Natação nunca foi o meu forte. Tentei me posicionar do meio para frente e esperava o momento em que fosse dispersar um pouco, mas esse momento não chegava. A largada é muito tumultuada. Sabia que não iria sair tão bem da água, mas fiz o tempo que estava esperando. Saí feliz! Peguei minha bike e fui enfrentar o temido pedal de Kona. Comecei a ultrapassar as meninas, mas chegou uma hora que elas me ultrapassavam e eu não conseguia mais abrir, somente manter. Teve uma hora que achei que fosse “apagar”, fiquei fraca. Comecei a me hidratar e alimentar muito mais. Mas não estava tão bem. Quando saí pra correr, sabia que estava em sexto na minha categoria e que a quarta e quinta estavam dois minutos na minha frente. Tentei imprimir um ritmo para manter minha posição, mas as dores tomaram conta do meu corpo e eu só pensavam em chegar. Cada km completado, pra mim era uma grande vitória. E fui assim até cruzar a linha de chegada. Administrando a dor, o calor, o vento, o cansaço, minha mente… todos os meus adversários.

Qual o momento mais difícil para você na prova?

O pior momento pra mim foi na metade da corrida. Eu já estava com muita dor… Na Ali’i Drive é muito bom correr porque aquela torcida toda gritando te estimula, mas quando entra na Queen K é que a prova de fogo começa. O calor e aquele sobe e desce na rodovia estavam fazendo com que minhas dores no corpo aumentassem. Eu parava em todos os postos de hidratação e comia e bebia o que via pela frente. Minha cabeça já estava exausta e me deparei com duas opções: Parar ou continuar. Mas a minha vontade de chegar era maior! 

Tem como descrever a emoção da chegada? Já sabia que seria a primeira brasileira a cruzar a linha final?

Cruzar aquela linha de chegada é algo inexplicável. Só quem passa por ela é que sabe. A gente tira um grito da garganta que, para cada um, tem algum significado. Meu marido estava lá me esperando e ele me disse que eu era a primeira brasileira. Corri que nem louca! Minha cabeça estava um turbilhão de emoções e sentimentos, por isso, até “cair a ficha” demorou um pouco. Vibrei demais! É uma emoção muito grande…

Ficou satisfeita com seu resultado?

Fiquei sim! Não tenho do que reclamar. Sei que poderia ter feito mais, mas a minha realidade de treinamento foge completamente do que é Kona. As “gringas” estão muito mais preparadas para essa prova. Vou rever muitas coisas após ter participado do Campeonato Mundial. Antes de vir pra Kona, eu pensava muito em um pódio havaiano. Mas ao mesmo tempo, pensava em fazer história aqui na Grande Ilha. Pódio eu não consegui, mas fiz história! Foram anos de treinamento e muita força de vontade. Acredito que esse ano Deus olhou pra mim e disse que eu merecia… 

Quais seus objetivos para 2016?

Ainda não pensei o que vou fazer no próximo ano. Tenho alguns planos e idéias. Deixei de fazer muitas coisas, passear com meus filhos, eventos, festas, dia a dia de uma família. Estou precisando voltar um pouco para essa vida e ter um tempinho para mim. O treinamento para um Ironman te exige demais. Em um ano, participei de 3 (Fortaleza, Floripa e Kona) Mas se me perguntasse se faria de novo? Sim! Faria… É somente uma fase, tudo passa e levo muitas coisas boas, muito aprendizado. E acho também que minha família não deixaria eu parar… Eu amo o Triathlon!

Agradecer nunca é demais, por isso não me canso de fazer: Agradeço a Deus, sempre, em primeiro lugar, por me dar saúde e força para enfrentar os desafios da minha vida. Ao meu maridão Marcelo que me incentiva, apoia e vibra. Se ele não me entendesse e aceitasse, nada disso seria possível. Minha família que se disponibiliza a me ajudar e minha mãe que me dá a maior ajuda com meus dois filhos Marcela e Rogerio. Ao meu treinador Marcelo Ortiz que me ajudou muito nessa preparação para Kona. Minha equipe multidisciplinar, que não me canso de agradecer, porque eles estão comigo há algum tempo e vivem comigo o meu dia a dia: Dr. Lucas Jankauskas (médico do esporte), Dr. Atef – Instituto Allevo (fisioterapeuta), Yana Glaser (nutricionista), Rosana da Corte (Psicóloga e amiga) e Ney (massagista). E a meus apoiadores, que foram muito importantes e investiram em meu sonho rumo a Kona: Casa Parafuso Santos, Esparta Suplementos , Green, Tork Sport, Uvex, Fupes, Mizuno e Banana Brasil. E claro! A todos os brasileiros que torceram por mim e me enviaram energia positiva para que tudo desse certo! E deu! É do Brasil!

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