Dor no quadril: Talvez o novo vilão dos esportes!

Diferentemente dos esportes onde o contato físico faz parte do jogo, como no futebol, rugby, handball, etc. Os esportes onde o contato físico entre os atletas é inexistente, ou deveria, as lesões também se diferem e se particularizam. Portanto, em um universo que a investigação dos mecanismos de lesão é de fundamental importância para a prevalência do sucesso da reabilitação, torna-se indispensável à especificidade do olho clínico do investigador fisioterapêutico perante a dor do atleta e seu esporte.

Nem sempre a dor de um segmento específico é o verdadeiro causador da disfunção de maior sintoma. Muitas vezes, no sistema músculo esquelético, uma pequena disfunção como o uso do tênis inadequado ou bikefit precipitado pode desencadear disfunções graves ao longo de meses ou anos, como o desgaste precoce das articulações adjacentes; tornozelo, joelho, quadril e coluna lombar. Por tanto, diagnosticar o mecanismo inicial dos sintomas é de vital importância no sucesso da reabilitação.

Uma articulação pouco mencionada e de grande acometimento, principalmente em esportes como o triathlon e dos esportes individuais que o compõe, é a articulação do quadril, que une o fêmur na bacia e possui grande amplitude de movimento em múltiplas direções.

Devido a sua biomecânica multidirecional e carga de peso empregada durante a atividade física, torna-se uma articulação instável e suscetível a lesões quando não fortalecida, que podem ser facilmente confundidas com patologias oriundas da coluna lombar devido a sua complexidade. Ao contrário das lesões na maioria das articulações do corpo humano, essa não precisa de uma sobre carga em impacto como o sofrido durante a corrida. Exemplo disso é o caso do ciclista profissional Floyd Landis que teve sua carreira interrompida para a colocação de uma prótese no quadril após sucessivas lesões articulares.

Existem inúmeros fatores que podem desencadear uma disfunção no quadril, dentre elas, as mais relevantes são; bursite do grande trocanter, osteoartrite, ruptura do lábio, necrose avascular, sub-luxações, luxações, etc.² Muitas destas patologias podem ter seu início de forma intrínseca como uma má formação esquelética congênita, ou extrínseca como lesão após pancada devido à queda.

As disfunções do quadril geram perda do equilíbrio e sobrecarga de outras articulações como a pelve e coluna lombar, podendo ser confundida ou ignorada como a fonte inicial do distúrbio. Essa perda de equilíbrio do quadril pode não levar a incapacitação em curto prazo, mas os sintomas que normalmente são desencadeados na coluna lombar sim. Diante deste comportamento, normalmente o motivo pelo qual o atleta procura ajuda médica não está relacionado à dor na articulação do quadril, mas sim por incapacitações atribuídas às dores lombares.  Em estudo realizado com pessoas de atividade de vida normais, cerca de 52-58% dos pacientes com disfunções no quadril ou joelho desencadeiam também dor lombar¹. Em atletas esse número deve ser maior.

Desta forma, como a disfunção primária ocorre no quadril deve se concentrar a intervenção de reabilitação na articulação em questão, com uma boa avaliação clínica para a descoberta do real mecanismo de lesão, que podem ser vários ou uma combinação de mecanismos. Somente após a descoberta da real causa pode e determinar a melhor abordagem fisioterápica do distúrbio para a extinção dos sintomas. Não se deve claro, ignorar os sintomas da coluna lombar, porém, as dores lombares jamais diminuirão se a fonte do problema, que concluímos anteriormente ser causada pelo quadril, não for restaurada.

Obrigado a todos pela leitura, saúde e bons treinos.

•    S. Burns, P. Mintken, G. Austin, J. Cleland. A resposta a curto prazo de mobilizações e exercícios no quadril nos indivíduos com dor lombar crônica: um estudo de caso em série. J. Man. Manip. Ther. 2011 19(2): 100-107
•    J. Cleland. Exame clínico ortopédico: uma abordagem baseada em evidência. 1º ed.  Rio de Janeiro: Elsevier,2007.

Hugo Eduardo de Amorim
Fisioterapeuta e triatleta
Formação em Mobilização Neural
Formação em Fisioterapia Manipulativa Musculoesquelética
Membro Associado do Grupo Terapia Manual
Ft.hugo@gmail.com

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