Diferencie: Treino x Prova. Testes x A Hora da verdade!

Foto: Charlie Crowhurst / Getty Images

Uma das características mais interessantes sobre o que as pessoas acham dos nossos métodos de treinamento é a falta dos testes físicos. Isso tem levantado muitas questões por parte de treinadores e atletas que participam de nossos Camps. Alguns ficam intrigados por que em duas semanas de camp eles não veem testes de lactato, nenhum teste para medir potência, e não há tomadas de tempo “de prova” também em qualquer atividade nossa, seja natação, ciclismo ou corrida.

Somos bombardeados o tempo todo com uma uma série de perguntas, do tipo: Qual o V02 máximo de Daniela Ryf? Qual o limiar de Matty Trautman? Seus watts por kg? E quanto ao Ritchie Nicholls, ele é rápido? Qual o tempo dele para 400 metros? Qual é o seu ritmo a frequência cardíaca no limiar de lactato?

Para um treinador de alto desempenho responder “Não tenho ideia”, para as perguntas acima, surpreende muitas pessoas. Contudo, o que surpreende ainda mais é quando eu digo: “E eu não quero que meus atletas saibam.”

“Mas se você não testar como pode monitorar as melhorias?” Acho essas perguntas irônicas quando competimos, tanto quanto o que fazemos em nosso esporte. Em primeiro lugar, deixe-me afirmar que o que nós monitoramos no treinamento não é tão importante quanto os níveis de desempenho que vemos nas provas – como a crescente gama de ferramentas de testes que surgiram.

Nós treinamos e competimos em um esporte onde até mesmo um evento da distância sprint leva no mínimo uma hora. Nas distâncias mais longas os esforços podem se estender a até 17 horas, para alguns participantes. O verdadeiro problema é que qualquer indicador de desempenho não mede apenas os aspectos físicos do treinamento, mas também os aspectos psicológicos, incluindo a capacidade de produzir o resultado em um ambiente de prova.

Qualquer treinador – a longo prazo – dirá que você vai ver centenas de atletas que fazem ganhos gigantescos em números nos treinamentos, mas que nunca são traduzidos para o desempenho real na prova. Uma situação que é ainda mais constante entre os atletas de faixa etária. Ultimamente tenho visto os atletas que tomam decisões de provas horrendas (que escolhem a linha de nado errada, bagunçam a transição, ignoram as estações de alimentos e hidratação), o que não têm nenhuma relação em todo o desempenho mostrado no treinamento. O problema não é o treinamento, mas a incapacidade de ser disciplinado e tomar decisões corretas sob pressão no dia da prova.

Sim, eu vi os anúncios sobre os diferentes testes disponíveis sob condições de prova. Infelizmente, há pouca substância para eles além de promover o que x, y, z ou nova forma de teste já está disponível. Taxas de suor parecem ser a nova ferramenta  do tipo “tenho que ter” para todo treinador. No entanto, qualquer treinador avançado o suficiente terá o bom senso dependendo das condições.

As taxas de retenção de sal, as estatísticas sobre V02 max e os dados que podem ser gerados são na verdade uma enorme desvantagem para os seus atletas. É vendido como ciência exata e é tudo, menos isso. Os parâmetros não são semelhantes para qualquer um dos testes – quão cansado / descansado está o atleta? Quanto de descanso antes do teste? Em que fase está no seu bloco de treinamento? Níveis de hidratação podem ser diferentes, ambientes do treinamento estão a diferentes temperaturas, a calibração de equipamento pode ser diferente e assim por diante.

Existem muitas variáveis que comprometem os resultados dos testes, quando na verdade você não precisa deles em primeiro lugar. No Trisutto.com estamos com a realidade. Nós não tomamos decisões de preparação sobre indicadores de desempenho derivados de uma falsa economia.

Nada vai ajudá-lo com as provas no calor ou taxas de suor mais do que estar em forma, como você pode possivelmente estar. É preciso, em vez garantir os números nos testes, ser tão consistente e tão eficiente quanto possível – estas são as coisas que você pode ter controle sobre e vão acabar fazendo o máximo do seu desempenho.

Os atletas de faixa etária vêm para os training camps com um bando de dados sobre todos os aspectos dentro da chamada “capacidade de desempenho físico”, – isso é uma loucura. Eu não me importo sobre seus watts ou fluxo de suor e uso de sal quando eu posso ver com meus próprios olhos que seus braços estão caindo após o aquecimento de natação.

A realidade é que quanto mais em forma você fica dentro do seu tempo limitado de treino, vemos uma mudança constante nos indicadores de performance.  Eles tornam-se obsoletos na maioria dos casos dentro de oito semanas e nenhum dos testes acima (se você quiser precisão, mesmo parcial) deve ser realizada dentro de um período inicial de 20 semanas de treinamento ininterrupto consistente.

Quer a sua carga de treinamento seja de 8 horas semanais,18 ou 28, só após 20 semanas então você vai ter algum tipo de relevância que pode ajudar o seu desempenho em um determinado dia. A implementação de alimentação disciplinada e hidratação será sempre mais importante do que o que tomar e em que quantidade.

Assim, muitos atletas vão a extremos para obter essa informação com antecedência, e esquecem dos postos de alimentação, deixam de recolher os sacos de nutrição, porque o voluntário não estava pronto, ou entram em pânico porque não puderam pegá-los. Verdade seja dita,  o ponto mais importante é ter a noção de que isso é um ponto primordial para sua performance e não todos os números de tantos testes.

Assim, para concluir,  veja os pontos em que acreditamos ser os básicos:

1) Se testamos fisicamente é para saber qual é a freqüência cardíaca máxima para um indivíduo. E isso é individual. Eu não sei a frequência cardíaca máxima da Nicola Spirig, mas eu sei a de Daniela Ryf. Por quê? Porque uma eu treino sobre uma abordagem fisiológica e outra eu treino em cima dos fatores psicológicos.

2) Nós fazemos a nossa taxa de alimentação  em provas de Ironman na premissa para as mulheres de 1 grama de carboidrato por cada kg de peso corporal. Os homens estendemos isso para 1,5 gramas a 2, dependendo da composição corporal. Os grandes, grandes indivíduos,  chegamos no máximo a 3 gramas.

Nós trabalhamos em cima dos nossos atletas para não perderem esses números e estarem a de defender e atacar adequadamente. E se isso significa ficar fora da bicicleta para diminuir os níveis acima de nutrição, que assim seja.

3) Quanto mais tempo a prova mais calorias líquidas usamos em comparação a água. Como uma equipe nós tendemos a ter uma boa retenção de sal, porque nos atentamos em não diluirmos antes e durante as competições.

Nós construímos nossos programas de treinamento em torno deste básico e simples 1, 2 e 3 que você leu.

Esqueça os seus testes. Obtenha o básico bem trabalhado primeiro e então eles vão vê-lo através dos desafios mais difíceis que o esporte oferece.

Brett Sutton é um dos mais renomados treinadores do mundo no triathlon e atualmente, entre outros, técnico de Daniela Ryf

trisutto.com

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