Bike Box: Selim, um capítulo a parte

A escolha do selim ideal compõe um capítulo à parte na prática das modalidades que envolvem a bicicleta, seja um ciclista amador, triatleta, ou mesmo os profissionais, todos têm, ou já tiveram algum tipo de queixa e desconforto relacionado ao selim. Na hora da escolha, várias são as considerações feitas por parte dos ciclistas e triatletas: marca, beleza, design, peso, quem o está utilizando etc. Hoje em dia alguns fabricantes dispõem de dispositivos e protocolos que realizam medidas no ciclista fora da bicicleta, e com essas medidas eles direcionam o ciclista a um determinado tipo de selim. Na própria literatura ainda temos divergências na análise dos selins mais confortáveis e/ou mais adequados para um determinado ciclista; bem como nesses protocolos oferecidos.
Diversas são as variáveis que determinam o conforto e a estabilidade em cima de um determinado selim. Entre as mais importantes estão:

– flexibilidade do ciclista
– posicionamento em cima da bicicleta
– altura, nível e recuo adequados do selim
– largura e formato

Então, de nada adianta um bom selim, se ele não estiver montado de acordo com a posição de pedalada e características funcionais e anatômicas do ciclista. Em resumo, você vai saber se o selim é adequado, se você testá-lo na sua posição de pedaladas e montado da forma certa. Dentre os problemas relacionados ao desconforto em cima de um selim, os principais sempre estão relacionados ao excesso de pressão no períneo, e à instabilidade criada em cima da bicicleta por esse tipo de pressão, ou mesmo quando o selim está montado de forma inadequada.  Principalmente em bicicletas de triathlon, onde temos um quadril mais flexionado durante a pedalada, e por consequente uma pressão mais acentuada do centro ao bico do selim, estes problemas ficam exacerbados.

Recentemente, vemos selins tipo anatômicos ganhando muita força no mercado, e ajudando diversos triatletas e ciclistas a encontrarem melhor distribuição de pressão em cima do selim, e mais estabilidade em cima da bicicleta; o que é importante, pois, via de regra, sempre que encontramos pressão inadequada em cima do selim e instabilidade acentuada, também encontramos mais pressão em outros pontos de contato com a bicicleta. São raros os casos em que os ciclistas não se adaptam aos selins anatômicos, pois para retirar a pressão da região do períneo, esse tipo de selim costuma aumentar a pressão em uma região muito específica, normalmente em cima das tuberosidades isquiáticas (ossinhos de sentar), e alguns ciclistas também podem apresentar queixas desse perfil de pressão. Hoje em dia, principalmente para o triathlon, podemos dividir os selins em duas categorias:

– selins com formato tradicional que possuem bico;
– selins em formato anatômico que podem vir sem o bico, ou com o bico mais baixo do que a superfície do selim

Vamos a alguns exemplos de distribuição de pressão entre os dois selins (com bico e sem bico – imagens meramente ilustrativas):


Pic1

1. Ciclista com baixa flexibilidade em uma bicicleta de triathlon utilizando um selim em formato tradicional com bico; queixa principal era o excesso de pressão no bico  do selim – na imagem da direita, conseguimos alguma redução na pressão após as correções de posicionamento – o ciclista foi indicado a um trabalho de flexibilidade,  e a troca do selim por um sem bico, caso essa pressão remanescente ainda o incomodasse.

2. Ciclista com flexibilidade média para boa em uma bicicleta de triathlon utilizando um selim em formato anatômico sem o bico; o ciclista não apresentava queixas relacionadas ao selim, porém podemos ver claramente que a pressão fica bastante concentrada  em uma região muito específica nesse tipo de selim. Alguns ciclistas também podem apresentar queixa com esse perfil de pressão. Não houve mudanças significativas na pressão antes e após as correções.

3. Ciclista com flexibilidade boa, em uma bicicleta de triathlon utilizando um selim em formato tradicional com o bico como na primeira imagem acima; o ciclista apresentava poucas queixas relacionadas ao selim. Aqui vemos que normalmente quando o ciclista tem uma flexibilidade melhor, ele utiliza uma área maior do selim por conta da mobilidade de sua pelve, e diminui assim a pressão em pontos específicos. Entre o resultado anterior às correções na bicicleta, não houve mudanças significativas.

*Os  números de pressão apresentados são relativos a cada ciclista, e não podem ser comparados pois dependem do peso do ciclista.
**Esses testes não visam fornecer nenhum tipo de indicação genérica, são meramente ilustrativos e não correspondem a trabalhos científicos com controle sistemático.

Pic 2
Aqui seguem algumas dicas:

– nunca condene um selim antes de ter a certeza que ele está montado na posição correta, atendendo às suas características funcionais e anatômicas e à sua posição ideal de pedaladas.
– procure observar sempre se o seu selim ainda está em bom estado para uso, e se ele não apresenta nenhum tipo de fadiga.
– a escolha de um selim, é algo altamente pessoal, e depende de características funcionais, anatômicas e do posicionamento em cima da bicicleta; dois ciclistas com o mesmo posicionamento e com características funcionais diferentes, irão apresentar diferentes perfis de pressão e conforto.

– bem como ciclistas parecidos em termos anatômicos e funcionais, e com um posicionamento diferente na bicicleta, vão apresentar um diferente resultado.

– até agora nenhum trabalho publicado conseguiu relacionar com exatidão, um determinado perfil de pressão, com mais, ou menos conforto; ou seja, alguns ciclistas podem perfeitamente achar o perfil da segunda imagem o mais confortável para ele, bem como o da terceira.

– uma boa forma de testar o selim, é colocá-lo durante uma análise de posicionamento, pois nessa situação você terá grandes chances de testar os diferentes selins em uma condição normalizada; por diversas vezes os ciclistas mudam de selim para testá-los, mas montam de forma inadequada, o que causa uma percepção equivocada do selim.

PIC 3
Marcelo Rocha
Profissional de Educação Física – UCB.
Acupunturista – Instituto de Medicina Tradicional Chinesa de Brasília.
Master Fitter e Instrutor Oficial certificado pela Escola Retul University – Estados
Unidos.
Fitter certificado pelo Instituto Slowtwictch – Estado Unidos.
Fitter certificado Instituto Serotta – SICI – Estados Unidos.
Fitter certificado pela Bikefitting – Holanda.
www.marcelorocha.com

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