Anabolizante é sempre o vilão?

Mais uma vez estamos diante de notícias de pessoas presas envolvidas com venda e comercialização de “anabolizantes”. Primeira coisa: Temos que   separar as notícias, do medicamento.

Os envolvidos estão sendo acusados, de acordo com a matérias, por crimes; a existência de “anabolizantes” não é o crime e sim sua venda ilegal, comercialização de produtos sem registro no Brasil, distribuição e comercialização por pessoas físicas, adulteração, vendas sem receita médica, contrabando etc.

O que são “anabolizantes”? É a abreviação dos medicamentos chamados de Hormônios Esteroides Androgênicos Anabólicos (EAA)

Por que esse nome? Hormônio é uma substância química específica, fabricada pelo sistema endócrino ou por neurônios altamente especializados e que funciona como biossinalizador, onde fará seus efeitos; outros exemplos, estrogênios, progesterona, insulina, da tireoide e glucagon, entre outros.

Esteroides formam um grande grupo de compostos solúveis em gordura (lipossolúveis), que têm uma estrutura básica de 17 átomos de carbono dispostos em quatro anéis ligados entre si, como exemplos: colesterol e Vitamina D.

Androgênicos por desenvolver características sexuais masculinas, exclusivas da testosterona e seus derivados.

Anabólicos pelo seu efeito metabólico de incorporar nutrientes à célula, aumentando seu volume, como a insulina, o hormônio do crescimento.

Logo, os EAA são substâncias assim como várias outras no nosso corpo e com funções importantíssimas. Mas, infelizmente, pelo seu grande potencial de aumento de massa muscular, força e diminuição de gordura corporal, domina o noticiário por práticas ilegais, já que possivelmente mais de 90% do seu uso decorre sem prescrição e acompanhamento médico, e o mais grave, de produtos sem registro no País e mesmo de uso veterinário. Aí que mora o perigo!

Como todo medicamento, o uso não é isento de riscos e com EAA não seria diferente. Primeiro, quando se prescreve um hormônio, tem que haver duas coisas fundamentais: sua baixa concentração no sangue e evidências clínicas de sua falta no corpo, atos esses exclusivos e legalmente realizados por médicos, pois somente esse profissional pode prescrever EAA.

Passado a indicação do uso, segunda etapa é a reposição dos níveis terapêuticos da testosterona, sem que isso cause alteração no chamado eixo de produção hormonal, isto é, que o corpo não crie dependência crônica dos EAA, muitas vezes caracterizada por atrofia testicular, infertilidade, impotência sexual, baixo libido e alterações em marcadores de sangue, como FSH e LH.

Na mulher, o uso sem esse controle eleva testosterona no sangue a valores muito acima do normal para o sexo feminino, o que leva a intensa características masculinas (voz, aumento do “gogó” no pescoço, acne, crescimento do clitóris, entre outros). Além desse controle médico, deve-se pensar onde e como serão eliminados do corpo, como qualquer medicamento, com isso, o controle do fígado e rins precisa ser feito. Outros efeitos do EAA precisam de acompanhamento, como perfil de gorduras no sangue, próstata e coração, entre outros. Mas, com seguimento e acompanhamento médico e laboratorial dificilmente esse problemas acontecerão.

O mais grave na minha opinião é usar substâncias não legalizadas e não fiscalizadas no País, fico imaginado a coragem de quem usa produtos que sabe lá de onde veio, o que tem lá dentro, direcionado a uso veterinário, contaminação, entre outros, esse sim o maior risco à saúde.

O objetivo desse texto não é condenar e nem estimular o uso de EAA e sim mostrar que ele é um medicamento, e como tal, com riscos e benefícios e que só devem ser usados com indicação e acompanhamento médico.

Fabrício Buzatto – CRM ES 9164

Médico Fisiatra

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Redação

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